SARA VALE – A DOULA BAILARINA

Se é daquelas pessoas que estudou para exercer uma profissão, não gosta do que faz mas continua a fazer e não entende a importância de dar largas à sua imaginação, interesses ou criatividade no sentido da sua auto realização, não vai compreender que existem pessoas que fazem duas, três ou até mais coisas em simultâneo ou ao longo da vida, simplesmente porque querem “ser” e sabem que se há algo que é certinho e limpinho como os dias se sucederem às noites, é que o universo está em constante mudança e, pertencendo a ele, o ser humano está sujeito ás mesmas leis. Assim, as decisões tomadas há 10 ou 20 anos atrás poderão já não fazer grande sentido, e …está tudo bem!

Conheci a Sara numa daquelas coincidências que a vida não tem e que me colocou numa reunião do Positive Birth Movement. Lá estava ela, a mulher que se autodenomina “doula-bailarina”. E a Sara é de facto bailarina não só porque fez formação e orienta oficinas de dança oriental para crianças e adultos, mas também porque é como quem dança, que ela comunica!

Formou-se doula em Inglaterra, com a NurturingBirth, país que á semelhança de outros na Europa, dá já um grande “bailinho” a Portugal, nesta área onde o parto domiciliar faz parte do sistema oficial de saúde e onde os profissionais aconselham as grávidas de baixo risco a ter um parto fora do hospital, seja em casa ou em casas de parto lideradas por parteiras.

Em 2014 fundou a Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto (APDMGP), uma sociedade civil sem fins lucrativos cujo objectivo é defesa dos direitos das mulheres durante a gravidez e parto através da promoção do respeito pelos direitos humanos.

Olá Sara, ainda há muita gente que não sabe o que faz exactamente uma doula e também algumas pessoas que pensam que a doula “faz partos”. Queres começar por explicar quais são, afinal, as funções da doula?

Sim, existe por um lado um desconhecimento, mas também confusão entre as funções da doula e da parteira. Então começo por dizer que a doula não é profissional de saúde ou seja não é enfermeira especialista em saúde materna e obstetrícia (enfermeira-parteira), e não faz partos porque quem faz o parto é a parturiente e o bebé!

A doula é uma mulher com formação sobre a fisiologia da gravidez e do parto que acompanha as mulheres e os casais durante o período da gravidez, parto e pós parto. Disponibiliza e ajuda na recolha e esclarecimento de informações relacionadas com a gravidez e o parto e apoia-os sejam quais forem as suas escolhas. Também sinaliza para outros profissionais se considerar que existem áreas que essa mulher necessita trabalhar e que extrapolam a sua área de intervenção e conhecimento.

Essa parte é muito importante! As doulas são muitas vezes as mulheres dos sete instrumentos, porque normalmente a sua formação base está relacionada com outras áreas mas também acabam por investir noutras áreas que complementam esta vertente de acompanhamento na gravidez e no parto. Tu por exemplo és doula e fotografa de parto, de recém-nascidos, famílias e dança.

Mas diria que é essencial termos a noção das nossas limitações.

Aí é o bom senso que deve imperar

O bom senso e a honestidade

Sabendo que tudo o que é vivido pela mulher, de alguma forma pode também ser vivido pelo bebé (dentro ou fora do ventre), e por isso se aconselha que a gravidez seja o mais tranquila possível, até que ponto consideras que pode ou não ser contraproducente desenvolver um trabalho emocional com as mulheres durante a gravidez?

A doula tem o privilégio de ter tempo e espaço com a mulher/casal, algo que os profissionais de saúde, geralmente, não têm, e esse tempo permite ficar a conhecê-la melhor e muitas vezes conhecê-la a fundo. Com esse privilégio, vem também muita responsabilidade. Cada doula saberá até onde vai com as mulheres que acompanha, mas na minha forma de trabalhar, o percurso emocional faz-se naturalmente e na medida que a mulher permite e está disponível para isso.

A doula não é psicóloga e forçar ou induzir uma mulher a fazer trabalho emocional pode ser uma forma de abuso se ela não estiver preparada para isso. Pode não querer olhar para determinadas questões e está no seu direito. Se estivermos atentas durante o percurso, percebemos que existem situações mais delicadas. E podemos sinalizá-las, falar com a mulher e perceber o que quer fazer com isso.

É importante termos esse cuidado e respeito. Não podemos levantar questões emocionais e depois não sabermos acompanhá-las no processo de integrar.

Podemos estar a entrar num terreno movediço

Sim é preciso, mais uma vez, ter consciência do que são as nossas capacidades e ter respeito pelas opções de cada um.
Sim as pessoas têm direito á sua privacidade e não será porque se está grávida que de repente se tem que resolver tudo.
Cada mulher é uma história e um percurso. Não há receitas. É um trabalho contínuo e o estabelecimento de uma relação próxima e de confiança que se vai solidificando gradualmente porque se vai trabalhando o que faz sentido para aquela mulher e casal.

Não sei se tens um plano dependendo das semanas de gravidez com que começas a trabalhar e, portanto, se é diferente se és contratada aos seis ou aos três meses de gravidez, ou se segues ao sabor das questões mais prementes?
Imagino que existam alguns temas que sejam pelo menos aflorados com a maioria ou até alguns que consideres imprescindíveis serem abordados antes do dia “D”?

Eu gosto de delinear.
Quando envio o e-mail inicial gosto de mandar um layout do que vamos abordar nas sessões. Não é rígido porque não está definido que o tema A será na sessão A ou B, mas são temas que considero que fazem parte do meu trabalho de doula, como sejam por exemplo, as intervenções hospitalares, o plano de parto, partos passados, o pós-parto… portanto, e respondendo à tua pergunta, eu tenho um plano, mas é sempre diferente o percurso até porque as mulheres, também elas, são todas diferentes.

E conta-nos como foi este teu despertar, se é que lhe posso chamar assim, ou vontade de seres doula? Porque tu és actriz e professora de dança oriental, certo?

Vem na sequência de ter sido mãe, mas eu sempre me interessei muito. Lembro-me de brincar muito às grávidas, aos partos e de por os bonecos a sair por baixo das camisolas. Mas na sequência de ter estado grávida do meu primeiro filho e depois do segundo filho acordei para uma série de questões e senti vontade de tirar o curso. Ainda tive que adiar este sonho porque tinha o bebé pequenino.

Mas houve uma altura em que decidiste! Sei que fizeste a formação no Reino Unido.
Porquê a escolha da Nurturing Birth para fazeres a formação de doula?

A minha irmã vive em Inglaterra e ia lá muito.
Também fiquei curiosa saber como seria um curso destes num lugar onde já havia um caminho feito. Não quer dizer que já estivesse ou esteja tudo feito pois ainda há coisas a melhorar, mas há uma serie de liberdades que aqui estão ainda muito longe de se alcançar.
Ainda andamos a discutir se o pai pode estar na cesariana!? Eles já têm parto na água em quase todos os hospitais e o parto em casa integrado no Sistema Nacional de Saúde.

E como foi essa formação?

O curso tem um pré-modulo, muito extenso, teórico, de reflexão sobre as tuas próprias experiências de parto, sejam tuas ou de um parto que tenhas testemunhado e também uma parte relacionada com conceitos de obstetrícia e foi interessante perceber – talvez por estar num contexto em que as coisas já estavam tão conquistadas, a abertura para as doulas ganharem asas e voar! Não há muito ênfase na luta e no braço de ferro com o sistema, apesar de existir uma atitude critica, e parece-me que isso é típico das doulas a nível mundial.

Depois do curso há um pós modulo em que se faz uma reflexão e também um trabalho escrito sobre um livro relacionado com o tema e um outro trabalho mais pessoal. Após a avaliação destes trabalhos, temos que encontrar uma mentora que não pode ter sido nossa formadora, ou seja, outra doula. Essa doula-mentora acompanha-nos nos primeiros 4 partos e pós-partos.

Esta parte da mentoria parece-me essencial porque naturalmente há uma serie de perguntas e de questões que nos surgem apenas após a formação e quando já estamos na prática a acompanhar os casais. Esse apoio é imprescindível para a recém doula porque se sente mais confiante no percurso e para o casal também que sabe que existe uma mentoria .

Mas vamos imaginar duas mulheres grávidas, estando uma delas a viver no Reino Unido e outra em Portugal. A mentalidade delas é muito diferente pois a realidade não é a mesma, mas quais são as grandes diferenças? No Reino Unido podemos considerar que a mulher sabe de antemão que pode escolher o tipo de parto e que não é algo porque tem que lutar e reivindicar? É taxativo isto ou também depende do hospital onde são assistidas?

É taxativo e existem uma série de coisas que já estão estabelecidas de facto. Eu acompanhei um parto em Inglaterra e é interessante observar que as consultas se realizaram num Comunity Center que faz parte do Sistema Nacional de Saúde e que também tinha creche e actividades para crianças e lá estavam também as parteiras. Na maioria dos casos é sempre a mesma parteira que segue a grávida e a gravidez é encarada como um processo normal. A grávida tem acesso a informação e espera-se que a mulher exerça o seu poder de escolha.

Dito isto…nem tudo é um mar de rosas. Às vezes os procedimentos são um pouco camuflados. Mas o ambiente é óptimo! Tive esta experiência de poder entrar e o parceiro também, o quarto era grande e tinha puffs para o companheiro e para a doula… pode-se levar comida e no corredor também há uma área onde se pode fazer torradas e chás e perguntam-nos várias vezes se precisamos de alguma coisa.

Está então instituído que o companheiro pode entrar e a doula também?

Sim, sim!A doula ou quem a grávida quiser.

Quando dizes que está mais camuflado o que queres dizer exactamente? Que o intervencionismo existe, ainda assim?

Existe!Eles explicam e informam o que vão fazer mas é o tom que acaba por ser quase persuasivo porque é feito com uma delicadeza e simpatia que parece normalizar os procedimentos.

E que hipóteses existem para a grávida em relação ao parto?

Uma grávida em Inglaterra pode parir em casa, no hospital, numa unidade gerida por parteiras independente do hospital (Independent Midwifery Unit) ou numa unidade gerida por parteiras dentro do hospital (Alongside Midwifery Unit). Isto em teoria. Nem todas as zonas têm um IMU ou AMU. E nem todos os locais facilitam o acesso ao parto domiciliar. Nem todos os quadros clínicos podem ter acesso a estes hipóteses todas. Em teoria sim, mas uma mulher com historial de doença mental, cesariana prévia, ou índice de massa corporal elevada pode ter mais dificuldade em exercer o seu direito a escolher onde quer parir.

Queres dizer que também têm praticas que não são baseadas em evidência cientifica?

Sim, mas por outro lado há outras que estão muito bem implementadas! Não se coloca a questão de que o pai não possa estar presente numa cesariana!Não se coloca a questão que o parto não possa ser feito em casa! Não se coloca a questão que a mulher pode precisar do companheiro e da doula com ela…

E achas que foi o facto de teres vivido essa disparidade entre a realidade britanica e depois a realidade portuguesa que foi o motor de arranque para o projecto da Associação Portuguesa pelos Direitos das Mulheres na Gravidez e no Parto?

Sim!Sem dúvida!
Eu já sabia que as diferenças eram bastantes mas nada nos pode preparar para o impacto do dia a dia e eu até considero que o primeiro parto que acompanhei foi maravilhoso – a típica sorte de principiante

Define “maravilhoso”. Foi maravilhoso porque foi natural e a mãe foi respeitada?

Sim e porque entrou o pai e entrei eu..

E onde foi?

Foi na MAC

Na MAC… e entras tu e o pai!? (Risos) Isso é mesmo sorte de principiante! (risos)

Era suposto haver uma troca mas acho que estava tudo a correr tão bem que me deixaram ficar.

Também ás vezes é uma questão de atitude! Ser-se discreto, não interferir desnecessariamente, e de uma maneira geral não interferir com o trabalho da instituição. É uma questão de respeito pelos profissionais que estão a fazer o seu trabalho.

Sim e os profissionais foram bastante simpático e até empáticos

Quais são as linhas orientadoras e os grandes objectivos da APDMGP?

Os grande objectivos da associação são dar informação aos casais para que possam fazer escolhas verdadeiramente informadas e encontrar um ponto de encontro e de diálogo entre profissionais de saúde, doulas e famílias.
O que eu e as pessoas com quem me juntei para formar a Associação sentíamos, era que o mundo do parto natural e do parto medicalizado estavam de costas voltadas e era e é o nosso desejo que não seja assim.
Vêem-se coisas igualmente dogmáticas tanto do lado do parto “alternativo” como do hospitalar. As mulheres parece que ou assumem uma postura ou outra e é importante que exista também o meio termo pois isso pode fazer sentido para alguma mulher. Mas abrir o diálogo mantêm-se um dos grandes objectivos.

Parece que toda a gente tem uma opinião sobre como se deve ou não fazer – os obstetras, as enfermeiras…até as doulas têm uma opinião sobre o que as grávidas precisam, mas nunca ninguém pergunta ás mulheres o que é que elas querem.

Sim nota-se na vossa comunicação que vocês pretendem dar voz ás mulheres!

Sim! E é importante que se oiça directamente sem traduções, sem intermediários, o que elas pensam e querem .

E porque é que consideras tão importante dar voz às mulheres?

Porque elas sabem exactamente o que precisam!

Achas que existe uma sabedoria intrínseca relacionada com o trabalho de parto?

Sim, a mulher pode até nem saber os termos técnicos. Ela pode não perceber nada de medicina e nem precisa que é exactamente para isso que existem os médicos, os obstetras , os hospitais, mas as mulheres têm um conhecimento sobre o seu corpo, sobre o seu bebé e o que precisa naquelas horas em que está em trabalho de parto, nomeadamente qual a melhor posição para parir e também sabem, de certeza, se são bem tratadas ou não.
Ninguém gosta de ser intervencionado sem saber de antemão qual vai ser a intervenção a que vai ser sujeito e quais as consequências.

Sim! Eu penso mesmo que não é nada por acaso que a maior parte das pessoas não gosta de ir ao hospital. A atitude altruísta por parte de alguns profissionais que não informam e apenas decidem, e a tendência que existe para aceitar que nos retirem o poder de decisão, é frustrante, condescendente e até mesmo humilhante.

Pelo que tenho acompanhado no ultimo ano a APDMGP parece-me uma associação consistente e de referência – e para mim são mesmo dois adjectivos que vos caracterizam porque está sempre presente o sentido da informação acoplado ao direito de escolha de cada um – mas quais são os grandes desafios atualmente? O que consideras premente?

O nosso percurso tem sido exactamente esse que referes de dar ferramentas aos casais para serem eles a fazer uma escolha consciente – os itens a considerar na elaboração de um plano de parto , o despacho das cesarianas, colocar a informação toda na página do facebook…são medidas que pretendem disponibilizar a informação no sentido de empoderar os casais e a mulher para escolherem em consciência o que lhes faz mais sentido.
Nós não vamos apagar fogos. As pessoas têm que assumir a responsabilidade das suas vidas e têm que ser os casais a solicitarem e muitas vezes a exigir aquilo a que consideram ter direito. As petições não têm que surgir da Associação mas nós damos apoio e visibilidade com todo o gosto. E é esta atitude que queremos manter.

O desafio é mantermos-nos a navegar nestas águas porque manter a neutralidade é um grande desafio até porque todas nós temos histórias de parto que eu acredito que influenciam fortemente aquilo que cada um defende. E as conversas que temos tido com médicas, advogadas, jornalistas, membros do governo, etc. em que a sua história de parto é espontaneamente partilhada, nota-se que estamos marcados pela nossa história com tudo de bom e de mau que isso tem. Portanto, o nosso discurso tem que ser inclusivo para que todas as mulheres se possam sentir representadas

Outro desafio, e este é diário é que somos todos voluntários e trabalhamos todos muito e é muito intenso!E para mantermos o nível de trabalho que pretendemos precisamos de algum financiamento para a Associação se poder continuar a desenvolver.

E quanto a desafios externos ?

A cultura do parto vigente é muito implacável e por vezes parece que estamos a remar contra a maré. Basta sair algum artigo na comunicação social que coloque em causa até o que já está conquistado, mesmo que não tenha qualquer evidência cientifica, as pessoas vão atrás e começam-se a levantar falsas questões. É difícil mudar mentalidades e é porque acreditamos muito e somos muito coesos dentro da Associação que, apesar do cansaço, nos mantemos de pedra e cal.

Claro! Mas tu ainda resolveste organizar os encontros do Positive Birth Movement no Nº 30 da Mouraria
(risos )

Sim, como se não tivesse ainda sarna com que me coçar!

Fala-nos deste encontros. Para quem são direccionados?

O Positive Birth Movement é um movimento que surgiu em Inglaterra e que tem 2 critérios: ser gratuito e ser positivo em relação ao parto.

Tu conheceste o movimento quando estavas em Inglaterra?

Sim, mas também através da internet pois têm uma página bastante ativa e interessante e a Milli também escreve para várias revistas e jornais. Nós também partilhamos alguns dos seus artigos na APDMGP.
E lá está! Mais uma vez o objectivo é passar informação e não há uma hierarquia porque não há nenhuma doula, enfermeira ou obstetra que vai dizer como se faz. São casais a trocar informação, que se apoiam e encorajam. As histórias dos outros podem ser experiências muito válidas.

Mas estes encontros não são apenas um espaço de partilha, embora seja um dos grades objectivos dos encontros na medida em que é num ambiente até muito acolhedor e descontraído – onde há sempre chá e um bolo – também é um espaço de acesso a informação, certo?

Sim, claro!Mas é curioso observar que esse acesso à informação não vem necessariamente de quem está a facilitar. Estes encontros são mensais e cada um tem um tema á volta do qual se desenvolve a conversa.

Como tem sido para ti este processo de acompanhamento das mulheres que te confiam a sua gravidez? A mulher começa a exercer a sua liberdade de escolha quando decide quem é a doula que a vai acompanhar.

Sim! E é um privilégio poder acompanhar o desenvolvimento de uma gravidez e o parto. Tenho tido imensa sorte porque desde que terminei o curso que tenho estado sempre a acompanhar alguém.
Essa questão da escolha é mesmo importante e eu faço questão que as mulheres com quem falo a primeira vez, que entrevistem outras pessoas para puderem decidir em consciência. E faço questão que a mulher saiba uma série de coisas desde o inicio tais como esclarecer quais são as funções da doula e as que não são, os temas a abordar e o valor das sessões e só depois de termos um contrato assinado é que começamos a trabalhar .

O que é que sentes que mudou em ti, se é que sentes, desde que começaste a acompanhar mulheres? Não sei se tens ideia do número de mulheres que já acompanhaste?

Sim, tenho. Vinte e sete mulheres. E neste percurso de 3 anos e meio adoro o frio na barriga na altura do telefonema a avisar a entrada em trabalho de parto. Cá vamos nós!
Mas também a fase em que sou escolhida e que inicia um novo processo e vou conhecer outra mulher, outra familia.

Há um filme muito giro que é o “Birth Story “que é sobre a Ina May Gaskin e as parteiras dela, e uma destas parteiras diz uma coisa que é muito verdade: “É impossível não amares uma pessoa que está a trabalhar tanto e a colocar tanto esforço nesse grande evento que é ter um bebé!”.
E especialmente quando as coisas não correm como se desejava e tem que se fazer o processo de deixar de lado o parto idealizado, aceitar e integrar muitas vezes em muito pouco tempo e continuar a estar presente e disponível a 100%.

Quem Trabalha com pessoas está sempre a ser surpreendido!

Sim e depois há mulheres que vivem partos naturais e acham que é tudo normal e que não fizeram nada de extraordinário, mas é um trabalho enorme de conhecimento de si e de como o seu corpo funciona e de colocar as forças internas a trabalhar a seu favor. É impossível não se sair de um processo destes empoderada.
Admiro toda e qualquer mulher que acompanhei. Acho que as trazemos sempre no nosso coração.

E tens mais algum projecto em mãos ?(risos) – para além de seres actriz, professora e doula?

Tenho o projecto doula.pt que foi um projecto que lancei há dois anos com a Susana Rodrigues e que na altura ficou um pouco suspenso por falta de disponibilidade de ambas. É uma plataforma online onde as doulas se podem inscrever independentemente do local onde tenham feito a sua formação para que os casais as possam encontrar.
Neste momento estou apenas eu a desenvolver o projecto e estou a reunir outras doulas para círculos mensais e está pensado haver formação complementar para doulas e um blogue com temas relevantes para doulas e casais. O objectivo é termos e sermos um território neutro de discussão e troca de conhecimentos.

À semelhança do Positive Birth Movement, mas neste caso com encontros só para doulas que depois terão visibilidade para pais e quem estiver interessado nos temas?

Exatamente!

Para fechar a nossa entrevista e porque considero importante as pessoas terem acesso a um número vasto e credível de referências para poderem desenvolver o interesse nestes temas e a importância que tem a forma como se nasce, que sugestões deixarias? Já nos falaste no filme “Birth Story” sobre a Ina May Gaskin…

Sugiro o site Midwife Thinking que é escrito por uma australiana que tem imensa evidência cientifica nesta área .
O livro “Birth In Focus” que é um livro de fotografia de parto com relatos de cada um desses partos .
E o filme “Birth Story” porque é mesmo especial!

Sara tinhamos mais pano para mangas…Obrigada!

Entrevista efectuada por : Susana Pereira

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